sábado, 2 de outubro de 2010

Fragmentos do Desejo

Me afoguei, quase sufoquei.
Me perdi diante de tanta beleza, delicadeza e precisão.
Venho aqui ofertar, espalhar todo esse amor festivo que venho sentindo desde quinta à noite.
Amor que enche o peito com a mais límpida fé, enquant
o o coração transborda de felicidade empolgante. Me encontrei com o espetacular teatro dos meus sonhos divinos. Vivi intensamente cada andança dos corpos estáticos e me entreguei aos ricos diálogos mudos.


Prazer imensurável assistir Fragmentos do Desejo no CCBB/ RJ.

A companhia Dos à Deux, criada pelos artistas André Curti e Artur Ribeiro desenvolvem uma pesquisa sobre o teatro gestual desde 1998. Do fruto dessa pesquisa, foram criados alguns espetáculos que percorreram vários países do mundo, encontrando um grande sucesso junto ao público. Essa pesquisa sobre o gesto se distingue pela singularidade de um universo repleto de uma rara poesia e de uma grande fineza. Esses artistas, dançarinos do teatro, não param de nos surpreender com a grande inventividade, precisão e onirismo presente nos espetáculos.



Como viver a diferença? Qual é a necessidade de ser você e ser diferente? Fragmentos do desejo é um equilibrio entre dois abismos: o da necessidade de afirmar quem somos e a dos desejos profundos.

A peça retrata a história de quatro personagens que as vidas entrelaçadas narram a dificuldade de ser.

Assistam!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Achado

dentre todas as certezas que eu nunca tive
dentre todas as verdades que sempre falei
surgiu a mais límpida e dourada vontade
de ser flor sua, vermelho púrpura

dentre todas as paixões que sonhei
surgiu você
azul cintilante, amarelo vibrante
cor de amor perfeito

diamante lapidado
bombocado pronto para ser degustado

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O que acontece andes do choro.

Para uma noite de sábado, ela chegou em casa mais cedo que de costume. Abriu a porta do seu quarto, aquele com a mesma decoração de quando tinha 8 anos. Se surpreendeu com a própria imagem refletida no espelho. Aproximou-se até conseguir enxergar perfeitamente cada traço de suas pupilas, e ficou se olhando durante um longo tempo. Parecia que ela tentava desvendar um grande mistério. E uma pergunta martelou em sua cabeça.

- Porque meus olhos estão assim... desolados?

Quando finalmente conseguiu se desprender do transe em que havia estado, sensações desconfortantes tomaram conta de seu corpo. Sentiu a respiração falhar, o coração desregulou o compasso e suas pernas perderam o equilíbrio por completo. Ela não podia fazer mais nada, a não ser, deixar seu corpo cair abruptamente em sua cama. Caiu feito manga madura que cai na grama, pronta pra ser devorada.

Deitada, ela sentiu seu peito se contorcer feito músculo com cãimbra. Era como se o seu peito fosse prensado em ferro quente, igual ao que fazemos com pão de forma. Quem fosse perspicaz, perceberia que o franzido em sua testa, antecipava a tempestade que, segundos depois, desabariam dos seus lindos olhos tristes.

domingo, 5 de setembro de 2010

Transcender

- Foi bem agorinha que me veio a certeza. Realmente é algo esplendoroso. Tão fora da minha "realidadezinha" humana, que jamais pude ao menos tê-lo desejado. A gente só deseja o que conhece. Ontem não fazia ideia da existência, e hoje já se tornou meu principal alimento. Que motiva meu fluir. Substrato último. Toda essa ternura que encontro pelo caminho, só faz potencializar a vontade de permanecer indo.

- Pra onde, meu Deus?

- Pro céu.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Mr. Nobody


Esse filme espetacular do Jaco van Dormael, ao meu ver, trata-se de possibilidades.

Um homem, Nemo Nobody de 120 anos, é o último mortal de uma era habitada apenas por seres imortais. Com sua mente fragilizada, tenta se lembrar de quem é, o que fez e as escolhas que foi obrigado a fazer em sua curta existência.
Esse filme é mágico e contagiante, pois mostra todas as possibilidades que o Nemo pôde e teve que optar em seguir. Desde o início da sua vida que, ainda criança, teve que decidir se ficaria com seu pai, ou se partiria com sua mãe logo que se separaram. E a constante necessidade de escolha ao longo da vida:
Qual, dentre as 3 meninas lindas do banco da praça, escolheria pra ser a mulher da sua vida?
"E se" é o verbo desse filme, se é que posso fazer essa concessão. "E se" eu escolhesse ficar com o meu pai? estaria "nesse tal" endereço? nessa profissão? com "essa tal" possibilidade de amor?
E o Jaco van Dormael brinca com essas possibilidades, ao passo que Nemo vai tentando se lembrar do que ele realmente viveu.
Sua mente frágil pela velhice, ou apenas por preferir não lembrar, nos envolve entre as amontoadas imagens ilusórias e reais que ele consegue formar. Não fica claro o que aconteceu em sua trajetória pela vida. A mente confunde tudo, troca a razão e o sentido. Ficam registradas as paixões que causou, os sonhos que experimentou e as emoções que se permitiu absorver.
E o resultado disso tudo, só poderia ser: Brilhante!
Eu amei. E você?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Enquanto acende um cigarro

Aqui tudo muda o tempo todo.
Cadê o tempo pra se acostumar com a novidade? Será que existe essa possibilidade?
Aqui não.
Com o que você está acostumada?
Com meu all star, minha unha que cisma em quebrar e cenoura ralada.
E como é viver assim?
Assim como?
Assim... tendo que se encontrar o tempo todo. Nunca sabe o que vai vir, já que todo dia é uma novidade.
Acabei de perceber uma coisa.
Fala
Você tá mais perdido do que eu.
? Você é muito louca...
Nem um pouco, estou em plena sanidade mental.
Tá, então me fala o que vai ser da sua vida daqui um ano.
Um ano é muita coisa... impossível dizer.
Tá... 6 meses
Posso lhe dizer apenas a curto prazo. 2 meses tá bom?
Vai
dinheiro, copacabana e acordar cedo.
Entendi.



Quer saber de uma coisa?
fala
tenho um plano pra vida também.
Interessante, qual é?
Liberdade.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Meu sexo é quem. Meu amor é quando.

É, realmente. Só quem é capaz de sentir a mais penosa dor que consegue, algum dia, atingir a mais sublime felicidade. Só não sofre quem nunca escolheu amar. Sempre irei escolher amar, mesmo sabendo o nível de dor que essa escolha pode me proporcionar. Eu escolho amar porque... porque é só assim que eu vejo sentido nisso tudo. Na vida. Amar é sempre uma boa escolha, na verdade, a melhor escolha. E se as coisas não acontecem do jeito que espero, eu sigo amando. Me amando. Amando a fossa em que me encontro. Amando a possibilidade de tudo se modificar. Amando o nascer do sol... como eu amo o nascer do sol. E se o amor não é correspondido. OK. Vai vir a fossa, as lágrimas, sentimento de solidão.. mas no meio de tudo isso, nunca se esqueça, ainda tem o amor.